Meus pais eram católicos e eu nasci dentro de um contexto onde o mundo católico imperava e influenciava muito mais que hoje, nas atitudes do governo, da sociedade e das famílias.
Um fato curioso e lastimável.
Estava eu lá com os meus seis anos de idade quando entrei pela primeira vez numa escola.
Me lembro que o Grupo Escolar Prof Benedito Tolosa tinha em seu pátio salas de aula de madeira, separadas por árvores; eram salas independentes com grandes quadros negros.
Nos primeiros dias as novidades faziam parte de um mundo novo que mexiam com a minha curiosidade.
A melhor parte era sempre a hora do recreio; eu levava na lancheira pão com manteiga e uma deliciosa limonada que sempre ficava com o gosto do plástico do recipiente; eu adorava.
Comecei a ter problemas.
Eu não entendia porque a professora insistia em me fazer segurar o lápis com a mão direita; era eu segurar o lápis com a mão esquerda e lá vinha ela falando coisas que eu não podia compreender.
No começo ela arrancava da minha mão, depois começaram os berros, depois as agressões físicas.
Num dia ela me bateu com uma régua enorme na mão esquerda, noutro dia fiquei ajoelhado em grãos de milho na frente da sala, e no dia em que mais riram de mim, ela amarrou um lápis com um cinto em minha mão direita. Os dois primeiros anos foram assim, depois foram me deixando em paz.
Eu não sabia porque ela fazia aquilo só comigo; aquela mulher me deixava apavorado.
Mas o que fazer, os pais confiavam totalmente nos professores para a educação dos seus filhos.
Num daqueles dias fui para casa chorando, levando um bilhete que a professora mandou entregar para o meu pai; eu nem podia imaginar...
No bilhete a informação de que meu pai tinha um filho canhoto e rebelde, e que de acordo com os ensinamentos da igreja católica, estava contra Deus; e junto o versículo bíblico justificando: Então, o Rei dirá aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos.
Meu pai ficou arrasado, era altamente preocupante para ele, mesmo que eu não fosse considerado pagão, pois eu tinha sido batizado por um padre.
Os católicos sempre foram bons em criar fórmulas para purificar o povo, a inquisição é uma das grandes vergonhas dessa igreja. Tive a infelicidade de nascer nesta fase onde as pessoas eram levadas a crer que os canhotos já tinham em si a disposição de ficarem contra Deus e os ensinos da santa igreja católica.
Meus pais ficaram aterrorizados com essa idéia.
Imediatamente obedeceram a professora, e quando eu ia fazer a lição de casa me obrigavam a ficar com o lápis preso à mão direita por um pano.
Tive que superar a fúria da professora, dos dogmas, e o desgosto dos meus pais.
Por causa da opressão, o tempo para mim passou lentamente e dolorido.
Tive muitas dificuldades, mas depois de seis anos completei o primário. Venci.
Nunca conseguiram mudar o fato de que nasci canhoto.
Dentro do meu coração, ficaram as cicatrizes das feridas que a maldição dos desvios doutrinários de uma igreja prepotente me causaram.
Sofri as penalidades de uma igreja que se diz detentora das chaves do céu e do inferno, mas que tem apresentado um evangelho próprio e fraudulento. A doutrina do purgatório anula a cruz de Cristo; ensinam as pessoas que existem outros intercessores, e não somente o Único e Verdadeiro caminho que é Jesus Cristo e mais ninguém.
Muitos crentes, por não terem intimidade com a palavra de Deus, e não conhecerem melhor os meandros católicos, acham que eles são irmãos dos evangélicos, mas não, isto não é possível.
Os líderes católicos sofrerão maior juízo.
O papa mesmo se posicionou e deu o seu veredito: Fora da igreja católica não há salvação.
Esta declaração pública me dá o direito de me posicionar publicamente também.
O ex-padre Aníbal passou pela conversão quando ainda fazia parte do clero. No livro onde conta o seu testemunho ele diz: Foi impossível conciliar a batina com a conversão. Aníbal se tornou um pastor batista, e escreveu livros como: Pode um católico salvar-se?, Mãe Aparecida, Católicos pentecostais, essa não! etc...
O evangelho é a identidade do servo de Deus; os católicos adulteram a palavra de Deus, se continuarem assim nunca terão a sua identidade autenticada por Deus.
O apóstolo Paulo, em relação aos judeus disse: A boa vontade do meu coração e a minha súplica a Deus a favor deles são para que sejam salvos. Porque lhes dou testemunho de que eles tem zelo por Deus, porém não com entendimento.
O mesmo eu digo dos católicos: Eles tem zelo por Deus, mas sem entendimento. Então, a minha oração a favor deles é para que se convertam e se salvem.
Pouco tempo depois que terminei o primário meu pai se converteu, depois a minha mãe, e gradativamente a família.
Meu pai tinha um amigo espanhol que se chamava Antonio Martinez que o convidou para conhecer os crentes, e assim meu pai entrou pela primeira vez numa igreja evangélica, era a igreja evangélica Batista de Casa Verde, que tinha Walter Kashel como pastor;
se converteu, largou o vício da bebida, e graças a Deus o evangelho verdadeiro entrou em nossa família.
Agradeço, louvo, amo e glorifico a Deus pela conversão da minha família.
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Algo grotesco que ficou para a posteridade, é a foto da minha formatura onde me obrigaram a segurar o lápis com a mão direita só para sair na foto,,,,,,,e completaram: Sorriiiiiiiiiaaaaa!!!!!!