sábado, 19 de dezembro de 2009

Inferno para os canhotos.

A igreja católica tem colaborado ao longo da sua história com diversos desvios doutrinários que deixaram sequelas em um número incontável de vítimas.
Meus pais eram católicos e eu nasci dentro de um contexto onde o mundo católico imperava e influenciava muito mais que hoje, nas atitudes do governo, da sociedade e das famílias.
Um fato curioso e lastimável.
Estava eu lá com os meus seis anos de idade quando entrei pela primeira vez numa escola.
Me lembro que o Grupo Escolar Prof Benedito Tolosa tinha em seu pátio salas de aula de madeira, separadas por árvores; eram salas independentes com grandes quadros negros.
Nos primeiros dias as novidades faziam parte de um mundo novo que mexiam com a minha curiosidade.
A melhor parte era sempre a hora do recreio; eu levava na lancheira pão com manteiga e uma deliciosa limonada que sempre ficava com o gosto do plástico do recipiente; eu adorava.
Comecei a ter problemas.
Eu não entendia porque a professora insistia em me fazer segurar o lápis com a mão direita; era eu segurar o lápis com a mão esquerda e lá vinha ela falando coisas que eu não podia compreender.
No começo ela arrancava da minha mão, depois começaram os berros, depois as agressões físicas.
Num dia ela me bateu com uma régua enorme na mão esquerda, noutro dia fiquei ajoelhado em grãos de milho na frente da sala, e no dia em que mais riram de mim, ela amarrou um lápis com um cinto em minha mão direita. Os dois primeiros anos foram assim, depois foram me deixando em paz.
Eu não sabia porque ela fazia aquilo só comigo; aquela mulher me deixava apavorado.
Mas o que fazer, os pais confiavam totalmente nos professores para a educação dos seus filhos.
Num daqueles dias fui para casa chorando, levando um bilhete que a professora mandou entregar para o meu pai; eu nem podia imaginar...
No bilhete a informação de que meu pai tinha um filho canhoto e rebelde, e que de acordo com os ensinamentos da igreja católica, estava contra Deus; e junto o versículo bíblico justificando: Então, o Rei dirá aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos.
Meu pai ficou arrasado, era altamente preocupante para ele, mesmo que eu não fosse considerado pagão, pois eu tinha sido batizado por um padre.
Os católicos sempre foram bons em criar fórmulas para purificar o povo, a inquisição é uma das grandes vergonhas dessa igreja. Tive a infelicidade de nascer nesta fase onde as pessoas eram levadas a crer que os canhotos já tinham em si a disposição de ficarem contra Deus e os ensinos da santa igreja católica.
Meus pais ficaram aterrorizados com essa idéia.
Imediatamente obedeceram a professora, e quando eu ia fazer a lição de casa me obrigavam a ficar com o lápis preso à mão direita por um pano.
Tive que superar a fúria da professora, dos dogmas, e o desgosto dos meus pais.
Por causa da opressão, o tempo para mim passou lentamente e dolorido.
Tive muitas dificuldades, mas depois de seis anos completei o primário. Venci.
Nunca conseguiram mudar o fato de que nasci canhoto.
Dentro do meu coração, ficaram as cicatrizes das feridas que a maldição dos desvios doutrinários de uma igreja prepotente me causaram.
Sofri as penalidades de uma igreja que se diz detentora das chaves do céu e do inferno, mas que tem apresentado um evangelho próprio e fraudulento. A doutrina do purgatório anula a cruz de Cristo; ensinam as pessoas que existem outros intercessores, e não somente o Único e Verdadeiro caminho que é Jesus Cristo e mais ninguém.
Muitos crentes, por não terem intimidade com a palavra de Deus, e não conhecerem melhor os meandros católicos, acham que eles são irmãos dos evangélicos, mas não, isto não é possível.
Os líderes católicos sofrerão maior juízo.
O papa mesmo se posicionou e deu o seu veredito: Fora da igreja católica não há salvação.
Esta declaração pública me dá o direito de me posicionar publicamente também.
O ex-padre Aníbal passou pela conversão quando ainda fazia parte do clero. No livro onde conta o seu testemunho ele diz: Foi impossível conciliar a batina com a conversão. Aníbal se tornou um pastor batista, e escreveu livros como: Pode um católico salvar-se?, Mãe Aparecida, Católicos pentecostais, essa não! etc...
O evangelho é a identidade do servo de Deus; os católicos adulteram a palavra de Deus, se continuarem assim nunca terão a sua identidade autenticada por Deus.
O apóstolo Paulo, em relação aos judeus disse: A boa vontade do meu coração e a minha súplica a Deus a favor deles são para que sejam salvos. Porque lhes dou testemunho de que eles tem zelo por Deus, porém não com entendimento.
O mesmo eu digo dos católicos: Eles tem zelo por Deus, mas sem entendimento. Então, a minha oração a favor deles é para que se convertam e se salvem.
Pouco tempo depois que terminei o primário meu pai se converteu, depois a minha mãe, e gradativamente a família.
Meu pai tinha um amigo espanhol que se chamava Antonio Martinez que o convidou para conhecer os crentes, e assim meu pai entrou pela primeira vez numa igreja evangélica, era a igreja evangélica Batista de Casa Verde, que tinha Walter Kashel como pastor;
se converteu, largou o vício da bebida, e graças a Deus o evangelho verdadeiro entrou em nossa família.
Agradeço, louvo, amo e glorifico a Deus pela conversão da minha família.
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Algo grotesco que ficou para a posteridade, é a foto da minha formatura onde me obrigaram a segurar o lápis com a mão direita só para sair na foto,,,,,,,e completaram: Sorriiiiiiiiiaaaaa!!!!!!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Sentimentos

Os sentimentos legítimos ou circunstanciais vem e vão.
Chamados ou não, eles virão.
Bem-vindos ou não, eles virão.
A vida reserva para si as surpresas.
Não temos opção.
Amor, indiferença, ódio; sentimentos que se opõem.
Decidi amar, decidi perdoar, isto é opcional.
Mas os sentimentos pulsam.
Sentimentos agridem, invadem, confundem.
Sentimento é força, é energia.
Energia que movimenta o nosso mais profundo.
Força que arranca de nós o desconhecido.
Quando se pensava que era forte, aí vem os sentimentos; mexendo e remexendo em nosso íntimo.
Quem é forte?
Quem se conhece o suficiente?
Quem pode prever a força dos sentimentos?
É força surpreendente.
Cultivarei em meus sentimentos o amor e o perdão.
Forças insuperáveis.
Por estes sentimentos fui conquistado por meu Deus.
Amor e perdão.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Vírus.

Na terça feira dia oito, meu computador foi afetado por um vírus da espécie: Andar em círculos.
Ele iniciava o trabalho, começava as funções e voltava ao início.
Fazendo uma analogia....
O vírus é o pecado.
O diabo é o hacker.
O inimigo está o tempo todo bolando formas de instalar o seu vírus em nós para que funcionemos mal, para nos fazer "andar em círculos".
De muitas formas o inimigo camufla os vírus no mundo para aguçar a nossa curiosidade, e nos infeccionar com a aparente inocência das suas táticas hacker satânicas.
Mas....
O Senhor trabalhou para instalar em nós o Espírito Santo que é o antivírus espiritual, e assim nos deixar livres para navegarmos a nova vida em Cristo.
Glória a Deus!
O virulento infectou o meu computador para me irritar, mas acabou me dando a idéia desse texto; simplizinho sim, mas que glorifica ao Senhor Deus que é totalmente benigno.
Vírus, vírus, virous, o inimigo se lascous ! kkkkkkkkkkkkkkk

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Alegria no perdão.

(quando eu e minha filha nos desentendemos e depois nos perdoamos)

Perdão.
Que palavra maravilhosa.
Quanto segredo contido.
Segredo que é desvendado quando praticado.
Perdoar, ser perdoado, atitudes que curam.
Tranquilizam nossa alma, todo o nosso ser.
Quanta esperança existe no perdão.
Quanta alegria proporcionada.
Num simples ato de perdoar.
Talvez não tão simples.
Mas o resultado que o perdão oferece traz paz ao coração angustiado.
Ter a mente de Cristo é ter a capacidade do verdadeiro perdão.
O perdão revive o espírito amargurado e abatido.
Aquele que já não esperava mais nada, é num instante revigorado pelo poder que o perdão exerce.
Que bom ser perdoado.
Que bom saber perdoar.
O perdão tem sabor de vida abundante, sabor de vitória, tem o ingrediente da felicidade.
Força tremenda e penetrante a do perdão.
Perdoar e ser perdoado, que bom!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Carlos Chura.

Ano de 2003.
O ministério hispânico crescia e se fortalecia.
Wiliam, Ricardo, Jane e Odete eram os servos fiéis a Deus e meus companheiros naquele que era um trabalho com as características da igreja primitiva; simplicidade, comunhão e curas da alma e do corpo.
Os quatro irmãos valorosos trabalhavam com todo amor.
Faziamos escola dominical e culto.
Naquele domingo, como de costume cheguei mais cedo para dar aconselhamentos e receber o povo.
Antes dos trabalhos sempre havia para todos, bolachinhas e um delicioso chá, preparados pelas irmãs Odete e Jane.
O trabalho deste domingo foi muito especial para mim, pela primeira vez tive o previlégio de apresentar um bebezinho quéchua ao Senhor.
Todos os domingos eram marcados com a presença de chilenos, bolivianos e peruanos; haviam também os que vieram da região andina, e estes só falavam quéchua ou aimará; e muitas crianças.
Recebemos também um grupo folclórico andino, com suas grandes sampoñas e charangas, uma maravilha, fomos todos muito abençoados.
Mais um domingo, mais um dia dedicado ao Senhor.
Na saída, as crianças comiam o restante das bolachinhas, e vinham sorridentes me abraçar e beijar, me deixando com o rosto cheio de farelos; uma festa.
Mas, algo estava reservado para este domingo.
Rebeca e Mário me chamaram de lado, estavam tristes.
Rebeca me disse que seu netinho Carlos de dois anos tinha estado internado por quatro dias no Hospital do Mandaqui, a desidratação o pegou e ele estava numa situação muito preocupante, com a cabecinha toda furada pelas agulhas.
Rebeca chorava enquanto dizia que o médico mandou o menino para casa mesmo assim; estava com medo que seu neto morresse.
Rebeca segurou em minhas mãos e me pediu que fosse orar pela criança.
Por volta das dezessete horas, eu a irmã Odete e Jane fomos na casa do pequeno Carlos.
Quando lá chegamos fiquei surpreso, haviam cerca de vinte pessoas aguardando; eram parentes que se uniam naquele momento de dor.
O ambiente era de silêncio, todos se compadeciam da família de Carlos.
Muitos rostos que eu não conhecia ali estavam, e antes de orar, testemunhei do poder de Deus, da Sua misericórdia e de que não havia impossíveis para Ele.
Eu ainda não tinha visto o garoto, ele estava no quarto.
Seus pais me falaram que as palavras do médico, foram de que tinham feito todo o possível.
Mandei que trouxessem o menino; ele estava enrolado em um cobertor, rostinho amarelo, fraquinho e desfalecido, a cabecinha raspada.
Meu coração encheu-se de amor pela criança; segurei o choro.
O pai do menino sentou-se no sofá com a criança no colo, todos ficaram em pé.
Peguei um óleo que sempre carregava comigo, ajoelhei-me, ungi a cabecinha do menino e supliquei ao Senhor Jesus que escutasse a nossa oração para a cura da criança.
Após a oração pedi que confiassem no Senhor.
Embora a situação parecesse a mesma, um sentimento de paz me confortava e dizia: Espera!
Já estava próximo o culto da noite, e assim, convidei as pessoas para irem comigo na igreja. Os pais da criança ficaram.
Rebeca e Mário moravam juntos com seu filho, nora e o pequeno Carlos.
Terminado o culto da noite, dei carona para Mário e Rebeca, e quando parei em frente a casa vimos o menino brincando na garagem.
Me lembrei da oração que fiz nas primeiras horas daquele domingo: Senhor, usa-nos!
Recentemente visitei a família de Rebeca, e lá estava, hoje com oito anos o menino Carlos Chura, forte, com uma cabeleira negra.
Irmã Rebeca me disse num belo espanhol: Hermano Antonio, te acuerdas de este mi nieto que iba a morir y Dios le sanó?
E assim, relembrando os fatos, confirmamos em nossos corações a bondade do Senhor.
Aleluia!
O Senhor merece ser honrado.
Ao Senhor e Deus das misericórdias: Amor, Glória e Louvor!