quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O beija-flor espadachim

Estava observando um lindo beija-flor.
Verde, com aquele bico curvo e comprido, sugando o néctar de uma flor.
Tão lindo e delicado, umas poucas gramas de ossinhos e penas, frágil em seu fôfo corpinho.
Até que se irou contra outro de sua espécie.
Aquele bico que o alimentava se transformou em espada.
Naquela luta feroz, o belo perdeu o encanto.
Não entendi nada, só sei que fiquei triste.
A maldade os atingiu também.
Destreza, agressividade e força, num lindo beija-flor.
Que poderoso ele deve ser no seu mundinho.
Sabemos o quão frágil é um beija-flor.
Deus nos ve como vemos um beija-flor.
Somos frágeis.
Mas, muitas vezes nos sentimos poderosos em nosso mundinho.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Bobões

...Que me perdoem os de bom gosto...e os outros também...kkkk...
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Dias vem, dias vão
E você bobão?
Sonhos vem, sonhos vão
E você bobão?
Acredita em tudo, acredita em vão
É você bobão!
Se sente tolo, chama atenção
É você bobão!
liga pra tudo, é um chorão
Só pode ser bobão.
Implica e fala palavrão
Só pode ser bobão.
Se acha o bom mas é um durão
Vai trabalhar bobão!
É crente, crentão, sem amor no coração
É você mesmo o bobão.
Discute sem razão e não pede perdão
Larga a mão de ser bobão!
Fica perdido, perdidão
Só você bobão.
Tem bens materiais e se sente o bom
É você bobão.
Acha que é intelectual mas faz acepção
Tremendo bobão.
Profetiza e faz revelações que o Senhor não mandou
Mentiroso e bobão!
É boca murmuradora e maledicente
Cuidado bobão!
É crentão mas acha bom quando um pecador se lasca
Aprenda o que é amor, bobão!
Deus te ama e deseja a tua mudança
deixa de ser bobão!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Dionisio Tollin Mamane.

Dezembro de 2005.
Aquela quinta feira amanheceu chuvosa, pensava no trânsito que enfrentaria enquanto me arrumava para o trabalho.
Por volta das 8:30 o telefone tocou, era a irmã Odete do Ministério hispânico.
O Ministério hispânico na Igreja Evangélica Batista de Casa Verde (terceira Igreja Batista em São Paulo), teve início em setembro de 1998.
Irmã Odete era uma das fiéis nesta obra, quando me telefonou estava com Guadalupe em sua casa.
A jovem chilena de 23 anos estava aflita porque o seu marido Dionisio estava internado no Hospital da Cachoeirinha com grave tuberculose.
Faziam dias que os médicos se esforçavam, mas as punções para a retirada da secreção dos pulmões não surtiam efeito, as chapas sempre mostravam os pulmões brancos pela inflamação.
Dionisio e Guadalupe tinham um filhinho, o pequeno Melvin, eles frequentavam o trabalho hispânico em nossa igreja.
Guadalupe estava na casa da irmã Odete pedindo que fôssemos orar por seu marido.
Imediatamente mudei os planos para aquele dia e me prontifiquei para fazer o que o Senhor desejasse.
Chegamos no hospital, na ala dos tuberculosos.
Eu, irmã Odete e Guadalupe entramos no quarto; Dionisio tinha acabado de voltar de mais uma sessão de drenagem dos pulmões para poder respirar melhor; sua pele morena agora estava amarela.
Dionisio tinha um grande curativo do lado direito da costela, era o lugar onde introduziam uma mangueira para fazer a sucção de uma mistura de sangue e catarro.
Falei em particular com o médico, ele me disse que Dionisio demorou muito para procurar ajuda, que seu organismo debilitado não reagia, o médico falou que o paciente estava sufocando pela grande quantidade de líquidos que se formava em seus pulmões, e a insuficiência respiratória prejudicava o coração.
Conversei com Dionisio, ele sabia da gravidade de seu estado.
Dionisio se esforçou e com a voz bem fraca me disse: Hermano yo no puedo morir, tengo que trabajar, somos extranjeros y no tenemos nada, lejos estamos de todos, tengo mujer y uno hijito pequeño, tengo que cuidar de ellos. Pida al Señor, Él puede me sanar.
Por uns instantes passaram por minha mente os momentos de convivência na igreja em que Dionisio, Guadalupe e eu ríamos quando eles corrigiam os meus erros de espanhol, e Melvin junto com as outras crianças vinham me abraçar e beijar na saída dos cultos.
Abri a bíblia na versão de Casidoro de Reina e li o Salmo 33:20.
Nuestra alma espera al Señor; nuestra ayuda e escudo es Él. Por tanto, en Él se alegrará nuestro corazón, porque en Su santo nombre hemos confiado. Sea Tu misericórdia, oh Dios, sobre nosotros, según esperamos en Ti.
Coloquei a mão com um pouco de óleo sobre o peito de Dionisio e orei dizendo: Que seja para a Tua glória o que Te pedimos agora Senhor Jesus; que este óleo represente as Tuas mãos limpando totalmente os pulmões deste jovem.
Quando abri os olhos, vi um largo sorriso em Dionisio, ele dizia; Yo sé, yo creo!
Deixamos o hospital sorrindo e confiantes.
Isto ocorreu na quinta pela manhã; na sexta a irmã Odete deixou um recado me avisando que estava acompanhando Guadalupe até o hospital, Dionisio estava de alta.
Adorei a Deus, e ao mesmo tempo que chorava eu dizia ao Senhor: Te agradeço por poder ser um vaso para a Tua honra Senhor Jesus, Aleluia!
Os médicos fizeram os exames e para surpresa deles, constataram que os pulmões de Dionisio estavam limpinhos e sem a presença do bacilo da tuberculose.
Domingo de manhã.
Encontrei Dionisio, Guadalupe e Melvin na porta da igreja, foram os primeiros a chegar, me esperavam sorridentes. Nada poderia ter sido melhor que começar o domingo daquela forma.
Donisio falava sem parar: Yo sabia, yo creía, gracias a Dios; quiero dar mi testimonio.
As 9 horas o salão onde fazíamos o trabalho estava repleto de uma mescla de quéchuas, aimarás, chilenos, bolivianos e peruanos.
Dionisio ficou na frente do povo com sua família, deu o seu testemunho detalhando os dias de sofrimento, do medo que estava em deixar a família desamparada e como se restabeleceu milagrosamente no nome de Jesus; e com toda a convicção animava o povo a confiar ainda mais no Senhor. Naquele dia em especial, houveram muitas conversões.
Enquanto ele falava eu agradecia a Deus por ver os três abraçados, juntos lá na frente em paz e muito felizes. Assim o Senhor nos unia cada vez mais pelos laços do amor.
Depois do testemunho todos cantamos: Aleluia, aun que somos indignos nuestro Dios presta oídos a nosotros, rebosanos de amor y gratitud, aleja la aflicción y escucha a los humildes. Aleluia!
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O Senhor é bom.
É benção aos que lhe servem glorificar os Seus feitos.
Que todos os que O amam ocupem o melhor de si para exaltar o Seu amor.
Ao Único, Grande e acessível Deus: Glória para sempre. Aleluia! Amém!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Incompreendido Deus.

Deus, incompreendido Deus.
As bençãos são incontáveis, não se pode negar, lutas diárias aqui e ali existem.
Os problemas querem e tem poder para me abalar.
Desejam me destruir e enfraquecer o que tem de resistência em mim.
São pequenas farpas, agudas, que incomodam muito e não me deixam esquecer que estão ali.
A impotência me mostra o quanto sou limitado.
Os problemas me fazem lembrar que sou frágil.
Acontecimentos desagradáveis me incitam contra Deus.
Penso: Porque a demora?
As contrariedades querem me jogar contra o Senhor.
E agora, saberei agir, conseguirei, em que proporção?
Que ninguém me venha com suas fórmulas.
A esperança que a fé alimenta é meu maior desejo.
Que ninguém queira que eu seja forte, eu não sou.
Já é um milagre eu esperar em Deus.
Com as forças que tenho mal consigo me agarrar a Ele.
Que ninguém com suas críticas venham acrescentar mais dor em mim.
Já estou bastante machucado, serei poupado?
De qualquer forma já estou cheio de sequelas, nesta briga encarniçada, cicatrizes.
Causei ferimentos e fui ferido, pecado maldito, ninguém foi poupado.
Deus, restabeleça rápido a ordem das coisas.
É o que espero, em Ti esperarei, Amém!.